sábado, 14 de abril de 2012

Nascer de Novo

                                         
 Temos que sempre estar preparados para renascer na vida, é um estado de ser de recomeçar, que deveria sempre estar presente em nossa mente.

Renascemos no corpo, pois sendo a vida eterna, eterno é o espírito, fica a matéria que pertence ao planeta e faz parte do seu inventário.

O espírito continua individual, particularizado, tendo como bagagem a sua evolução intelectual, moral e espiritual, e vai trilhando seu aperfeiçoamento no espaço até o infinito das nossas origens.

O ciclo de vida de um homem no planeta, finda com a degeneração de seu corpo, da matéria, que pertence a Terra, que inclusive na sua transformação, dará vida a outros seres, faz parte do equilíbrio da natureza, na qual, nada se perde.

Essa é a beleza dos reinos mineral, vegetal e animal na face de um planeta, essa transformação é um processo de evolução e vida.

Quando nosso espírito é reclamado pela espiritualidade, e eclipa-se naquela passagem pelo planeta, o nosso corpo volta aos reinos da natureza, pois deles já fazia parte.

Assim também acontece com nossas roupas, objetos de uso, dinheiro, nossas propriedades, tudo fica no planeta, que o originou.

O espírito carrega a essência dos ensinamentos, a luz e a beleza.

Essas mesmas experiências de transformação têm no nosso dia a dia, estar sempre preparado para nascer de novo, é um preparo interior de como devemos encarar os desafios que surgem, os problemas que nos afligem às vezes intransponíveis inicialmente.

Registramos na mente o enunciado do problema, para depois irmos entendendo suas nuances aos poucos.
E como sempre os problemas têm um fundo também emotivo, a compreensão deles sempre é muito difícil, pois postergamos decisões interiores até quando pudermos, pois é sempre melhor conviver com elas do que renascermos para uma desconhecida solução, que além de doer, nem sabemos ser a melhor.

A certeza absoluta que às vezes precisamos ter, nas decisões de vida, provavelmente nunca a teremos, pois é aí onde reside o nosso mérito, e mesmo porque, se a tivéssemos, não teríamos o problema.

Internamente, lá no fundo sabemos que existe um caminho a ser percorrido, pois identificamos que algo não estar bem e precisa ser melhorado, então partimos para entender o que está acontecendo. Temos conversas conosco para ver de frente os fatos.
Modificamos um pouco, mas às vezes pouca adianta, o fato continua a perturbar. Então tentamos fixar alguns pontos que admitimos como certeza,para resolver outros que ainda não entendemos,tentando testar nessa troca, o que está acontecendo.

Meras formalidades estamos nos enganando, pois não podemos trocar certezas internas por incertezas externas, porque elas não são moedas. Devemos nos utilizarmos dessas certezas já existentes para melhor nos posicionarmos, diante do entendimento do problema, que na grande maioria dos casos, faz parte de sua solução.

Os mais experientes e vividos nos dizem, que temos que ter flexibilidade, ou seja, tentar encarar o fato não só com nossas certezas e verdades, assim como também através de diversos ângulos e pontos de vista.
Mesmo porque os fatos em si, não são problemas, diversas pessoas os encaram de formas diferentes, outras nem os enxergam, portanto o problema está em nós, que transformamos os fatos em problema.
Os problemas são os espelhos de nossas dificuldades, incertezas e aflições.
A morte, por exemplo, apesar de estarmos com saúde, a transformamos num grande problema, e colocamos a sua insolubilidade, como parte de outros fatos problemas, que precisam ser resolvidos.
A partir do momento que iniciamos a ter certeza da vida eterna, nascemos de novo, somos um novo ser na solução dos fatos de vida, surgirão outros questionamentos sim, mas alguns, entretanto já estarão sendo resolvidos.

Portanto as nossas certezas vão surgindo à medida que vivemos e nos esclarecemos nos encantos da vida, e sempre estamos renascendo à medida que elas vão se tornando virtudes, que nos acompanharão como parte integrante de nosso espírito infinito.

Antes de tudo, temos que ter como um dos nossos principais objetivos, utilizar nossas certezas e verdades, para dedução sistemática da origem ou do enunciado dos problemas, na eternidade da vida.

Temos que ter dentro de nós a necessidade desse caminho, sem o qual, não sentiremos a vontade de fazer esse esforço.
Se assim o fizermos, à medida que formos tendo esse sentimento e entendimento, outros problemas vão se esclarecendo, e assim por diante.

Já dizia o Filosofo Platão, em um dos seus Diálogos- Teeteto, ou sobre o Conhecimento.
Nesse dialogo um dos personagens é o Filosofo Sócrates, que conversando com Teeteto, disse:
A minha arte obstétrica tem atribuições iguais as das parteiras, com a diferença de eu não partejar mulher, porém homens, e de acompanhar almas, não corpos, em seu trabalho de parto.

A Divindade me incita a partejar, porém me impede de conceber.
O que é fora de dúvida, é que nunca aprenderam nada comigo, neles mesmos é que descobrem as coisas belas que põem no mundo, servindo, nisso tudo, eu e a Divindade como parteira. As dores do parto é que minha arte sabe despertar ou acalmar.

Portanto, para Platão conhecimento é fruto de um trabalho de parto, paciente, doloroso e frutífero no seu final, sendo que neste trabalho, nesse renascer de uma nova vida, no nascer de novo, é que sintetiza o grande e importante objetivo da mãe em ter um filho, e nos homens em geral, de adquirirem conhecimentos. Em ambos os casos o trabalho da natureza se faz, tanto na mulher como nos homens, que pelos esforços próprios conseguirão dar uma nova vida, ou ter o nascer de novo de um novo conhecimento.

                            
                                                      Obrigado

                                                  Newton Roriz